Quem sou eu ?

Quem sou eu?
Sou um espaço de mitoses e meioses, um coração que pulsa, um corpo repleto de glóbulos brancos, hemácias, plaquetas, órgãos comprimidos dentro de um saco de ossos, músculos e gordura. Sem qualquer tendência existencialista-fenomenológica-ontológica, é isso o que sou – e o que todos nós somos, aliás. No entanto, reduzir o Ser (Dasein) a isso seria quase uma ridicularização da nossa condição humana.
Entender quem somos, na verdade, é a maior complicação que podemos ter.
Compreender-nos no mundo como seres pensantes e donos de si é, muitas vezes, nosso verdadeiro desafio enquanto humanos. Eu poderia seguir pelo caminho mais simples e listar, de forma desordenada, uma série de fatos aleatórios, meus hobbies, o que gosto de ouvir, se faço reciclagem ou não, meus planos para o futuro e por aí vai. Mas a verdade é que um amontoado de informações essencialmente efêmeras não pode revelar quem sou. Meu gosto por literatura pós-moderna, arte pré-rafaelita, café sem açúcar e camisetas listradas podem mudar com o pôr do sol ou com o fim do mês. Um café amargo demais pode me fazer fã de chá, Rimbaud pode tomar o lugar de Sartre, e meu fraco por arte pode simplesmente desaparecer. Nossos gostos e preferências não podem resumir quem somos. Então, o que pode? Definir-se é, antes de tudo, um ato de coragem.
Hoje me sinto obnubilada em resumir em uma lauda quem sou. Talvez amanhã ou depois me sinta diferente, cheia de definições e conceitos sobre mim mesma. Por ora, prefiro ridicularizar a condição do Ser e afirmar que sou, apenas, um espaço de mitoses e meioses.
Aline Landfeldt
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